24 de julho de 2016

Cenas da Guerra Brasileira

Imagens como essa produzem quase sempre dois tipos extremados e igualmente desqualificados de opinião: o primeiro tipo, o de que a polícia é apenas um grupo criminoso, e que precisa, de algum modo, ser combatida e desmoralizada publicamente; o segundo, o de que a polícia, quando age assim, está fazendo simplesmente o seu trabalho em prol da sociedade, e que, independente dos meios, o importante é que o crime seja combatido.

A primeira visão é a dos históricos e neuróticos inimigos da legalidade; gente habituada a ver a polícia, enquanto corporação, como o inimigo, desconsiderando quase sempre a fatia positiva da ação policial em favor da sociedade. A segunda constitui o grupo dos radicais cegos e sedentos pela, obviamente, necessária justiça, e que, desapontados com a ineficácia da justiça brasileira, acabam resvalando para um espírito revanchista e de vingança, cultivando excessos que, no fundo, não resolvem o problema e que apenas agravam o cenário de barbaridades e vulgaridades da nossa já vergonhosa sociedade.

O que toda essa gente não vê (inclusive quem age inadequadamente, no exercício e em nome da lei) é que a polícia é importante e que precisa agir com justiça e correção, afastando-se do modus operandi comum a gente de baixo nível e à criminalidade. Apesar de toda injustiça que a categoria sofre nas mãos da sociedade, do sistema falido, e dos criminosos, todo agente da lei deve sentir-se participante de uma categoria de homens íntegros, por vezes mesmo heróis, nunca de bandidos.

A polícia deve sim ser firme, e dura sempre que necessário, mas nunca pode atravessar a fronteira da legalidade. Se assim o faz - como a maioria de nossos políticos - macula toda a sua imagem, e declina de subir no conceito da população, abdicando de ser a melhor guardiã da lei e da justiça, princípios estes fundamentais para a manutenção da esperança em um amanhã melhor para todos, inclusive para ela própria.

Atos dessa natureza têm efeito inverso ao desejado: disseminam a cultura da indignidade como o método na sociedade. Não melhoraremos o país se não abandonarmos o hábito de nos rebaixar ao nível de nossos adversários, em vez de disseminarmos um novo padrão de comportamento, superior e construtivo.

Enfim, é preciso que se investigue o histórico de quem comete esse tipo de ato, para que se tome a justa e adequada atitude. Se o agente que assim procede tem um histórico favorável, precisa ter a chance de se redimir, de mostrar que agiu movido pela inconsequência que o estresse e o meio desfavorável que o cerca podem promover. Se não, é preciso agir de modo a valorizar os bons policiais e proteger a corporação de atitudes lamentáveis como essa.

É também preciso que se ofereçam para os homens da lei, na sua continua formação e, sobretudo quando as coisas começam a desandar, como nesse episódio, cursos de capacitação, com foco não apenas em táticas de defesa e enfrentamento, mas ainda sobre visão política e social do agente público, e sobre o papel e a importância da própria polícia para ajudar o país a se desenvolver. Cursos assim não creio devam ser ministrados por intelectuais alienados, mas por grandes, firmes e íntegros, homens selecionados dentro da própria corporação. Homens diferenciados, de valor, e que conhecem de perto e de pele os problemas da profissão.

É bom ainda que o brasileiro comece a se informar melhor sobre os graves problemas nacionais, que passe a refletir sobre os caminhos corretos para construirmos um país de verdade, para que assim enfrentemos com força e união quem de fato sabota o seu desenvolvimento, e não mais percamos tempo com ideias e coisas medíocres, que não vão nos ajudar a construir esse país que dizemos querer, mas que, até quando falamos, testemunhamos o contrário.

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